Terremoto no Haiti e outras tragédias

março 2, 2010 | Comentários (2)

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Esse post foi originalmente escrito no dia 15 de janeiro de 2010, às 00:51h. Eu não havia postado naquela época, porque achei que não valia a pena gastar meu tempo falando sobre o assunto. Mas agora acho que seja uma boa hora. Quer saber? Que se dane quem não concorda.

Ultimamente eu tenho considerado esse um dos assuntos mais delicados de se falar em toda minha vida.

Diante de tanta tragédia, não apenas no Haiti, mas todo esse caos e destruição que tem ocorrido nos últimos dias (Angra dos Reis, São Paulo, Capivari, São Luiz do Paraitinga, Rio Grande do Sul, Haiti, Europa…), as pessoas tendem a ficar mais sensíveis, de humor mais delicado, e é quase impossível ter uma discussão racional.

Mas somos pessoas sensatas e inteligentes. Tenho certeza de que posso falar sobre esse assunto com vocês sem ser recebida com sete pedras nas mãos.

Esqueçam as profecias, os filmes catastróficos falando sobre o fim do mundo, as teorias de loucos bitolados que vendem suas casas e doam o dinheiro para a Igreja, achando que isso vai salvá-los de arder no fogo do inferno quando tudo acabar.
O fato é que a Terra está se movendo. Eu já falei isso outras vezes, mas o assunto sempre é tratado como se a coisa fosse acontecer daqui a milhares de anos. A humanidade se acostumou com essa idéia, com essa comodidade de poder deixar para as próximas gerações resolverem os problemas que causamos hoje.

Quando eu digo que tudo isso é uma reação do planeta contra o câncer que a humanidade se tornou, sempre ouço as mesmas coisas:
“Mas pessoas inocentes morreram lá…”
“Mas pessoas que cuidam do planeta, que respeitam a natureza, também morrem nessas catástrofes”.
Eu já sei o discurso de cor. E a resposta é muito simples: observem as formigas.

Quando formigas atacam nosso jardim, mandamos entupir o formigueiro de veneno.
Não são todas aquelas formigas que atacam o nosso jardim, nem todas tem a função de cortar as plantas. Algumas delas, pelo contrário, transformam a folhagem em adubo, que vai fortalecer a terra e melhorar a qualidade do solo. Mas nós não queremos saber disso. Para nós, aquelas formigas atacam nossas plantas e todas elas, sem excessão, devem morrer.
O mesmo nós fazemos com qualquer outro ser que venha “incomodar” o nosso estilo de vida, ou violar o espaço que consideramos propriedade nossa desde que viemos para cá.

Agora, chegou a vez da Terra fazer o mesmo. Não interessa se alguns de nós respeitam o planeta, cuidam dele… A grande maioria não faz isso, e a nossa Grande Mãe se cansou. Está na hora de colocar as crianças de castigo, para elas entenderem quem manda aqui.

Mas onde eu quero chegar?
Quero dizer que vamos ajudar as vítimas do Haiti agora, e na semana que vem já vai ser outra comunidade precisando de ajuda. Talvez nem tenhamos um espaço de tempo tão longo entre uma catástrofe e outra. A Terra está se movendo, de todas as formas possíveis, e uma hora vai nos atingir também.

É muito duro pensar dessa forma. Chega a ser um pouco assustador.
Mas, quando olho para a humanidade e vejo no que nos tornamos, penso que talvez essa seja a melhor solução.
Já faz tempo que não fazemos parte da natureza mais, mas parece que só agora ela desistiu da gente…
Foi paciente como uma mãe, não?






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