Outro dia, conversando com um colega aficionado por política, comentei que pretendo anular meu voto. A ladainha dele não foi diferente da mídia de um modo geral.
_ Você não pode fazer isso! Anular o seu voto é jogar fora os seus direitos.
_ Mas eu estou utilizando o meu direito de votar nulo!?
_ Mas se você anula o voto, não tem direito de reclamar depois.
E ele foi muito infeliz com esta afirmação. Pois se eu anulo meu voto, já estou reclamando. Se uso o meu direito de anular o voto, é justamente porque nenhum dos atuais candidatos me agrada. Só porque tenho o direito de votar, sou obrigada a escolher uma daquelas opções, mesmo que nenhuma delas se encaixe no perfil do que considero um político decente? E se eu escolher um candidato e ele só fizer aquilo que todos os outros vêm fazendo até então? Não quero ficar com a minha consciência pesada por ter ajudado a afundar um pouquinho mais o meu país. Quero garantir o meu direito de dizer “eu não votei naquele cara, e não teria votado em nenhum outro concorrente dele”.
Todos os dias a mídia – principalmente a TV – enche nossos ouvidos com essa história de “voto consciente”. Mas no final ninguém sabe o que é, de fato, o voto consciente.
Votar consciente não é votar no sujeito que consertou a sua rua na época das eleições; não é votar no “fulano” porque ele é seu parente, seu amigo, seu vizinho, ou pai da sua pretendente; não é aceitar uma graninha extra pra fazer uma campanha; muito menos escolher aleatoriamente um dos que estão lá! Não quero jogar dados com o meu futuro não.
Meu voto é nulo sim, mas é consciente! ^_~



