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 Incompatibilidade religiosa

24 de novembro de 2007 | Comments (10)

Em: Polêmica + Pseudo-Filosofia + Religião + Uncategorized


Minha família é toda católica. Alguns são realmente católicos, tanto na parte de ir à missa, quanto na de viver como um católico… Outros apenas vão à missa… E ainda há aqueles que só se dizem católicos porque nasceram dentro de uma família católica.Aos quatorze anos de idade, eu virei para a minha mãe (que é um dos poucos realmente católicos) e disse “Não sou mais católica” e ela me perguntou “É o que, então?”. A pergunta dela não veio como crítica, muito menos como repreensão, apenas como a preocupação de uma pessoa que sabe que ter uma fé é importante. E eu respondi “Não sei. Mas a religião católica não serve para mim, não acredito nem na metade do que ela prega, então vou estudar e procurar outra religião que se encaixe melhor”. E foi exatamente isso que fiz. A partir daquele dia, estudei desde o Budismo até a Umbanda, passando um longo período dentro da Bruxaria, que foi onde me encontrei melhor. E depois de tanto estudar, cheguei a uma conclusão: religião é algo tão pessoal que não faz sentido existir.

Hoje, se me perguntam “Qual é a sua religião?”, eu respondo “A minha“. Acredito que as religiões, de certa forma, servem apenas para nos afastar daquilo que há de mais divino: a nossa própria crença, a nossa própria fé.
É claro que existem aquelas pessoas que se encaixam tão perfeitamente dentro da forma predeterminada de se pensar dentro de uma religião, que acabam se tornando bons religiosos. Mas a grande maioria está ali apenas porque essa idéia lhes foi incutida pelos pais, pela sociedade, pelos amigos, ou até mesmo por um sentimento de culpa, ou desespero. Essas pessoas vão me perdoar, mas elas não têm fé de verdade. Estas acreditam que outra pessoa possa fazer por elas o que elas próprias não conseguiram, e isso é fraqueza, não fé.

Mas o ponto principal desse post não é discutir isso. Cada um pensa o que quiser e vive como achar melhor. Se você se sente bem dentro da religião que escolheu para si, e se está disposto a ter fé no que ela prega, então seja feliz.

Eu estou aqui para falar sobre ontem. Minha irmã recentemente mudou para o Espiritismo Cardecista e está em fase de estudos. Como essa religião a tem ajudado muito a superar seus próprios limites e seguir a vida com seus próprios pés, acho que foi uma mudança válida. Mas na semana passada ela me fez um convite “Vamos no estudo sexta-feira?”. Como se trata apenas de um estudo, onde as pessoas não vão necessariamente se tornar espíritas, mas sim estudar essa religião, e considerando que é uma das poucas que eu não tive a oportunidade de estudar mais profundamente, aceitei o convite. E ontem estava lá, sentada numa das cadeiras dispostas em círculo esperando a aula começar.

(pausa para um comentário infeliz da minha mãe sobre um policial que amarrou o cavalo numa árvore e foi atacado por um enxame de abelhas, onde o cavalo não conseguiu fugir e morreu – meu sábado podia ter ficado sem essa ¬¬)

Mas voltando ao assunto…
No decorrer da aula, comecei a reparar algumas coisas.

DogPrimeiro, que existe uma grande incompatibilidade entre o que acredito e o que os cardecistas acreditam. Não consigo conceber a idéia de que os animais sejam seres inferiores aos humanos, nem mesmo em termos evolutivos. E a idéia de que nascemos na Terra para “espiar” as coisas que fizemos de errado na outra vida também não me cai muito bem. Mas principalmente, não tentem me convencer de que esse planeta é apenas um cantinho do castigo e que existe um lugar muito melhor para onde vamos depois que chegamos no ápice da evolução da alma. Os Deuses seriam assim tão ruins a ponto de escolher um dos mais belos lugares do Universo para jogar aquelas almas que não prestam e permitir que elas destruam tudo? Isso é injusto demais para ser divino, mas é a cara do ser humano, logo, é humano demais para que eu possa acreditar.

Mas há um ponto em que nós concordamos: a reencarnação. (por causa disso escolhi aquela música ^^) Mas não reencarnar como forma de pagar pecados, de espiar coisas de errado que fizemos, mas como o natural ciclo da vida. Nascimento e morte, nascer e pôr do sol, estações do ano e a fruta que morre para dar lugar à semente de uma nova vida.
Se a reencarnação acontecesse apenas para aqueles que fazem algo de errado e precisam corrigir esse erro numa outra vida, eu faria coisas erradas apenas para ter a oportunidade de voltar à Terra, de voltar a viver aqui.

A segunda coisa que reparei, são as pessoas que frequentam esse tipo de lugar. Elas só reafirmam as minhas palavras, quando digo que religião é algo estritamente pessoal. Porque algumas estão lá porque realmente se identificam com o que o espiritismo prega, com as idéias e com os dogmas. Mas a grande maioria está ali procurando algo em troca. Às vezes alguém que as possa socorrer, às vezes uma forma de se sentirem seguras, mas na grande maioria das vezes (principalmente nesse tipo de religião), apenas querem uma forma de aparecerem, de se tornarem o centro das atenções e dizerem: eu faço, eu aconteço, eu sinto. O que é uma pena, porque se for seguido com seriedade e discernimento, o Espiritismo é uma religião iluminada, onde as pessoas têm prioridade em fazer o bem as outras. Seria muito bom se todos os espíritas pensassem assim.

Mas eu não acho que o Espiritismo possa me conquistar, embora minha irmã tenha esperança nisso. Porque existe algo dentro de mim, que eles jamais iriam aceitar…
No entanto, vou continuar participando das aulas. A forma de pensar deles me parece interessante.






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