Olá! Meu nome é Carla, conhecida por alguns como Hydra (tia Hydra, Hydra-chan, Hydra-sama, e outras variações). Nasci há 25 anos, 11 meses e 4 dias e me orgulho em dizer que, ao contrário da maioria das pessoas, não passei o tempo todo na Terra, tendo permanecido na Lua por mais tempo do que consideram normal.
Ah, você já me conhece? Talvez não…
Estou aqui hoje para lhe apresentar uma Carla diferente. Aquela Carla que é alérgica a cigarro, odeia quando as pessoas mexem nas coisas dela sem avisar, odeia quando tiram coisas do lugar e não colocam de volta e, principalmente, odeia quando as pessoas acham que os erros dos outros justificam os seus. (traduzindo: a Carla chata)
Ela acorda às 6h da manhã, toma seu banho, troca de roupa e vai pra cozinha tomar café. Mas o cheiro e a fumaça do cigarro aceso de sua mãe são insuportáveis e as janelas estão todas fechadas, o que torna a cozinha e a copa uma sauna seca de nicotina e gás carbônico.
“Poxa, mãe. Fumando dentro da cozinha, e ainda toda fechada?”
“Não posso parar de trabalhar para fumar…”
Depois de um dia de trabalho, faz uma festinha com o cachorro preto sem-vergonha que a recebe todas as noites no portão, joga a bolsa, o casaco (e tudo o que estiver segurando) sobre as máquinas de costura e se senta em frente ao computador. Então sente o cheiro de cigarro empesteando o ar.
“Mãe, quantas vezes preciso pedir pra não fumar no meu quarto?”
“Ninguém fumou no seu quarto!”
(detalhe para as cinzas de cigarro esparramadas por todo o lugar, inclusive dentro do copo onde ela costuma beber água)
Seus pais estão na sala fazendo o ritual noturno de adoração à TV e ela gostaria de ficar um pouquinho perto deles. Quem sabe até assistir uma novela, ou um filme? Enfim, compartilhar um pouco o momento… Mas novamente eles estão fumando, dentro da sala, com tudo fechado.
“Vocês podiam ao menos fumar perto da janela aberta, ou na varanda… Esse cheiro de cigarro é horrível!”
“Nós já estávamos fumando quando você chegou. Veio pra cá porque quis.”
Quando ela era pequena e seus pais gastavam fortunas em médicos, hospitais e clínicas, tentando todo tipo de tratamento para ver se ela conseguiria respirar melhor, eles não ousavam acender um cigarro que não fosse em lugar aberto, bem distante dela…
Se ainda fossem só os três, ela poderia pensar que o “encanto” acabou porque ela cresceu…
Mas uma criança de 9 anos mora com eles… Não foi a criança que cresceu, foi o vício que se tornou mais importante do que isso…
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Não vejam esse post como um desabafo, mas como um alerta.
Vício é vício, não interessa qual. Se você dá valor as pessoas que ama, avalie o que é mais importante, e pare antes que seja tarde demais.
Seu vício não afeta só a você.
Quando a neta deles tiver um enfisema pulmonar sem nunca ter fumado um único cigarro, eles vão se arrepender… Mas aí vai ser tarde demais.



