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 Porque essa noite eu tive um sonho…

18 de julho de 2008 | Comments (9)

Em: Sonhos

…sonhei com o sonho de outra pessoa, mais uma vez…

[sonho]

Era um barco de madeira, grande demais para ser um bote, pequeno demais para um navio. Apenas um barco. Navegava nas águas e escuras de um rio largo e profundo, guiado por um homem de compleições fortes, que empurrava e puxava o único remo sem nenhuma dificuldade, fazendo a embarcação seguir seu rumo sem que seus passageiros sentissem o impacto das poucas ondas que se formavam ali.

No centro do barco havia uma mulher. Tinha longos e volumosos cabelos castanhos, que se ajeitavam perfeitamente sob o enorme chapéu de pirata. Ela gritava com todos que estavam à sua volta – e não eram muitos – dando-lhes ordens e perguntando coisas sem sentido.

_ O que você está sonhando aí? – ela perguntou, dirigindo-se ao homem baixinho que enrolava as cordas perto da proa, mas ele só abaixou a cabeça humildemente e não respondeu. Os tripulantes agiam daquela forma quando ela se aproximava, perguntando sempre a mesma coisa. Alguns respondiam baixinho, outros apenas recuavam, mas todos a obedeciam.

Até que ela o notou. Do outro lado da embarcação, sentado sobre o único degrau de acesso à popa, havia um homem. Vestia-se de preto, com um longo manto cobrindo todo corpo, que deixava aparecer somente uma parte do peito muito branco, e as mãos longas apoiadas sobre os joelhos. Ele era tão pálido, que não parecia estar vivo. Seus cabelos rebeldes se agitavam em torno da cabeça e os olhos eram tão profundamente negros, que, ao olhar para eles, tinha-se a impressão de ver todo o universo.

A capitã, como se auto-intitulava, se aproximou daquele homem com passos firmes e rígidos, parou diante dele com ar imponente e apontou o dedo em seu rosto, como se aquela atitude pudesse intimidá-lo.

_ O que você está sonhando? – ela perguntou, irritada, e ele não respondeu.

Mas, diferente dos outros tripulantes, aquele homem não se curvou diante dela. Não alterou as feições, nem sequer se esforçou para tentar agradá-la. Ficou parado ali, olhando-a, sem nada dizer.

_ O que você está sonhando? Responda! – ela insistiu, e continuou repetindo a mesma pergunta, com cada vez mais raiva e obstinação.

Depois de ouvir aquelas palavras tantas vezes, ele se levantou. Era mais alto do que ela muitos centímetros, o que a forçou a olhar para cima e segurar o chapéu para encará-lo. Mas o rosto dele carregava feições tão tranqüilas e serenas, que a capitã logo percebeu que não o tinha abalado.

_ O que eu responderia, se não me permitissem dizer nada? – ele perguntou.

Ela não soube o que dizer. Estava visivelmente confusa, mas, de certa forma, sentia que ele tinha razão e que aquelas palavras faziam sentido.

Como se percebesse isso, ele ergueu a mão direita e a apoiou sobre o ombro esquerdo dela, falando com calma, mas de jeito firme, dando a entender quem realmente mandava ali.

_ Já chega, Ellen. Eles devem sonhar em paz.

.

Ela abriu os olhos devagar, tentando se acostumar à claridade, e ouviu vozes desconhecidas soarem ao longe enquanto isso.

_ Ellen? Ellen? Está me ouvindo?

Assim que conseguiu retornar à realidade, se viu cercada por objetos estranhos, vestindo roupas esquisitas e ouvindo coisas que não entendia.

_ Onde eu estou? – ela perguntou, confusa.

_ No hospital, meu bem. – respondeu uma mulata baixinha e sorridente, que estava de pé ao lado da maca – Como está se sentindo?

_ Não sei. O que estou fazendo aqui?

_ Não se lembra de nada? – a moça perguntou, mas só de ver a expressão confusa no rosto dela, já soube qual era a resposta, e prosseguiu – A senhora é uma das nossas pacientes. Está participando de uma pesquisa experimental a respeito do cérebro humano, mas parece que algo deu errado. Nós a recebemos aqui há alguns dias. Seu corpo funcionava perfeitamente, mas sua atividade cerebral era incomum. Não respondia aos estímulos aplicados. Era como se seu inconsciente estivesse preso numa realidade diferente dessa.

_ Em resumo, eu estava presa a um sonho?

_ Não sei dizer, mas fico feliz que esteja de volta. Isso nos dá esperança de que os outros também vão acordar.

_ Outros? – Ellen perguntou, sem entender o que estava acontecendo.

_ Desde que a senhora entrou nesse estado de consciência estranho, os cérebros dos outros pacientes pararam de responder…

[/sonho]

.

O que acontece depois?
Não sei…
O relógio despertou…
E, pela primeira vez, eu me lembrei do sonho, mesmo tendo sido arrancada dele pelo maldito despertador…

Ah, como eu queria que fosse sábado! Y__Y

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Post Ctrl+C Ctrl+V do meu Fotolog, porque esse sonho foi tão legal! =3






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