No final de semana passado eu estava na casa do namorado e assistíamos um filme chamado “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”, com o Lean Neeson no papel de um cientista que resolve estudar o comportamento sexual das pessoas depois de enfrentar alguns probleminhas bastante comuns na noite de núpcias. O filme, assim como os livros publicados pelo Dr. Kinsey, causaram muita polêmica, especialmente para a época em que seus livros foram publicados.
Uma das coisas que o Dr. Kinsey reparou de mais preocupante na questão “sexo” para as pessoas, era justamente a preocupação delas em relação à normalidade do que faziam. Perguntas como “Dr., eu sou uma pessoa normal?”, ou “Dr., o que eu faço é normal?” eram constantes em todas as entrevistas que fazia tanto com homens, quanto com mulheres.
Depois de assistir o filme, eu comentei com o Jeff que as coisas mudaram muito de lá para cá. Hoje em dia as pessoas não são mais tão reprimidas para falar sobre sexo e já não se preocupam tanto se o que sentem, ou fazem, é normal.
Mas ele logo me corrigiu. Disse que muito pelo contrário. Na verdade, não mudou muita coisa. A única diferença entre aquela época e essa, é que o sexo se tornou banal e as pessoas já fazem as coisas alegando que é normal. E se julgam menos normais por não fazerem determinadas coisas, do que por fazerem.
Parei para pensar por alguns instantes e não foi difícil perceber que ele tem razão.
Nesse final de semana agora, assistíamos o programa Altas Horas com o Serginho Groisman, quando começou o quadro “Falando sobre Sexo”, com a sexóloga Laura Miller, e todos se mostraram bastante interessados, fazendo todo tipo de pergunta. Até que o Serginho se dirigiu ao Alex Band (ex-vocalista do The Colling), que estava participando do programa, e sugeriu que ele fizesse alguma pergunta. Mas o rapaz logo se esquivou e, com uma cara de total espanto, disse: “Nos EUA, se falassem sobre isso num programa de TV, eles tiravam do ar. O Brasil é um país incrível! Vocês falam sobre sexo na TV”.
E se formos reparar, sempre que alguém faz uma pergunta à sexóloga, por mais simples que seja, a platéia reage com risos e comentários “engraçadinhos”. Isso prova que o sexo ainda não é um assunto realmente levado a sério e a maioria das pessoas ainda trata disso com muita timidez.
Comentei sobre isso com a minha mãe ontem e ela é da mesma opinião do Jeff. Como casal responsável pelo curso de noivos, meus pais enfrentam olhos arregalados e pessoas envergonhadas sempre que falam sobre sexo com os futuros casais. As pessoas acham estranho que representantes da Igreja falem sobre esse assunto, quando, na verdade, deveriam achar normal.
Minha mãe mesmo costuma dizer: “Existe sexo sem amor, mas não pode existir amor sem sexo.”
O tema devia ser abordado com mais naturalidade pelos pais, pelos professores e, principalmente, pelos casais. É incrível como, depois de tantos anos, os estudos do Dr. Kinsey ainda se apliquem à sociedade de um modo geral, e como as pessoas muitas vezes sofrem preocupações enormes durante muito tempo por causa de problemas de solução tão simples.
Tudo bem que nem sempre é fácil tocar no assunto com os nossos pais, irmãos e colegas. Mas, meninos, meninas, homens e mulheres, não deixem de procurar alguém com quem conversar sobre isso. Hoje em dia existem tantos locais onde vocês podem obter as informações que procuram sem precisar se identificar. Temos a internet, programas de televisão, revistas, jornais e até mesmo palestras falando sobre o assunto.
Procurar um médico então, não é uma opção, é um dever. Mães, aprendam a levar suas filhas ao ginecologista logo cedo. Existem mulheres (e vejam que estou falando de milhões delas) por aí que nunca foram a um ginecologista, ou que deixaram para ir só depois que tiveram filhos. O resultado disso é um número assustador de mulheres morrendo por causa de câncer no sistema reprodutor, ou sofrendo por causa de outras doenças que sequer sabem que existem.
Quantos relacionamentos não vão bem porque o sexo não é bom? Quantos casamentos acabam porque homem e mulher não conseguem se entender na cama?
Vamos lá, gente… O sexo é a coisa mais natural que existe. Falar sobre ele deveria ser tão natural quanto.
Ou vocês ainda acreditam na história da cegonha?
O Curioso Caso de Benjamin Button
Assisti o filme na sexta-feira (Sim, baixamos na Internet mesmo, meu bem. Porque filme bom a gente baixa para assistir em casa, assiste no cinema, e ainda aluga para ver depois) e acho que ele superou minhas expectativas.
Trata-se da história de um homem (interpretado por um Brad Pitt irreconhecível na maior parte do filme) que nasce com o corpo físico de um senhor de 80 anos, e vai rejuvenescendo ao longo dos anos.
Minha mãe disse que a vida deveria ser assim, pois quando temos mais conhecimento e vivência sobre as coisas, não temos mais condições físicas para exercê-las. Mas depois de assistir o filme (e mesmo antes disso, pela convivência com pessoas de muita idade) eu cheguei à conclusão de que já é assim. O processo de envelhecimento é muito semelhante ao de rejuvenescimento. No fim, desaprende-se a andar, a falar, não se tem mais firmeza nas mãos e nos pés, não consegue-se mais comer sozinho, tomar banho sozinho, e muitas vezes, acaba-se usando fraldas.
A vida é um ciclo, afinal.





hmm.
é verdade, sexo hoje não é naturalidade… é banalização, obrigação e piada.
eu acho isso tudo muito estranho, mas…
de vez em quando ouço falar dos estudos do doutor kinsey, mas nunca vi esse filme.
…e esse cantor do the calling… eu comecei a rir aqui na produtora enquanto lia, a ingrid virou e falou ‘mari que isso? vc tá com cara de safada’ ^^”
hahaha.
aiai.
benjamin button… achei o filme bonito, mas nem gostei muito, não. me peguei bocejando várias vezes, meus olhos fechando lentamente… primeira vez que isso aconteceu quando eu fui ao cinema.
talvez eu esteja ficando velha.
bjs!
Realmente existem muitos tabus em volta desse assunto e acho que de tanta repressão, de tanto dizerem que é normal assim – porque são poucas pessoas que acham e defendem a posição de que é natural sem falsos moralismos ou pudores – as pessoas não conversam muito sobre o assunto.
E eu quero muito ver esse filme. Muita gente está falando bem dele.
Bjitos!
Olha aqui em casa isso é tabu total, acho que minha familia está mais para os padrões americanos que dos brasileiros auhuhah sério acho que nunca ouvi minha mãe falar sexo, meu pai então tenho certeza! Foi complicado, quando eu tinha uns 12, 13 anos, a minha “sorte”, digamos assim, foi estudar em uma escola que tinha educação sexual como materia, ai faziamos vários trabalhinhos sobre dst, metodos anticoncepcionais, etc