Quando eu era pequena, minha avó me ensinou a amar e respeitar a Natureza de tal forma que, para mim, a Mãe Natureza não era apenas um nome dado à Terra em sua essência, mas uma entidade, uma forma consciente, poderosa, amável e deslumbrante, a quem eu chamava carinhosamente de Mãe. Era quase como se eu pudesse vê-la, tocá-la.
Cresci amando e respeitando a Natureza em todas as suas formas. Aprendi a não jogar lixo no chão, não maltratar animais, só pescar o que iria comer, não colocar fogo no mato, não poluir a água, não cortar as árvores, não prender passarinhos em gaiolas, não fazer uma dezena de coisas que poderiam prejudicar a Natureza de qualquer forma.
Mas eu cresci, amadureci, comecei a ter aulas de religião na escola e observar o ser humano com outros olhos.
Lá nas aulas de catequese, tentaram me ensinar que um Deus todo poderoso criou a Natureza para servir ao homem, que foi criado à sua imagem e semelhança. Lá na escola, tentaram me ensinar que o homem é um ser racional, diferente dos outros seres irracionais, por isso é superior a eles. Tentaram me ensinar que criar animais com intuito de matá-los e fazer com que eles produzam exclusivamente para nós, é um exemplo da evolução humana. Tentaram me ensinar que o ser humano é melhor, mais forte, mais inteligente e, por isso, a espécie dominante.
Depois disso, coloquei em estudo a relação homem x Natureza. Considerando os animais mamíferos vertebrados, preciso concordar que somos a espécie dominante.
Mas será que fazemos parte mesmo?
Vamos levar em consideração uma árvore. Imagine uma árvore qualquer. Uma bananeira, por exemplo. Agora imagine que todas as bananeiras, de repente, deixaram de existir. Então, o que acontece? Existem seres que dependem exclusivamente da bananeira para sobreviver; eles também deixariam de existir. Mas também existem seres que dependem exclusivamente desses seres para sobreviver; eles também deixariam de existir. Assim, geramos uma reação em cadeia onde milhares de espécies deixariam de existir, ou mudariam completamente a sua forma de vida, porque nós sumimos com as bananeiras.
Agora, imagine o ser humamo. Imagine que todos os seres humanos, de repente, deixaram de existir. Consegue imaginar uma criatura que dependa única e exclusivamente de nós para sobreviver? Se não encontrou, pense melhor. Existem organismos que dependem exclusivamente do ser humano: as doenças. Vírus, bactérias, algumas moléstias que são exclusivas dos seres humanos e deixariam de existir se fôssemos extintos.
Ou seja, não temos qualquer tipo de ligação com o resto da Natureza. Tudo o que depende de nós, é apenas nosso, e não influencia e mais nada que possa prejudicar o ciclo natural das coisas, caso deixe de existir.
Por outro lado, a Natureza agradeceria. Os animais de “estimação” voltariam ao meio natural e se readaptariam; as florestas tomariam de volta o seu lugar; os rios se encarregariam de empurrar a sujeira para o mar, que utilizaria o sal para fazer uma limpeza profunda em suas águas; os animais seriam livres novamente; as caças e caçadores viveriam em harmonia; e a Natureza retomaria o seu equilíbrio natural.
Há os que digam “Outro ser dominante iria surgir e caminhar para o que somos hoje”.
Quem sabe? O que me incomoda de verdade, é fazer parte dessa humanidade.




ah, eu adoro ser humana.
sempre lembro daquela frase do agente de matrix falando com o morpheus, “a humanidade é como um vírus”, etc. etc., e penso, “puxa, é mesmo!!”. mas mesmo assim.
antes de ter animais de estimação ou qualquer proximidade com animais, eu peguei essa coisa de “animais irracionais” de ouvir os outros falando, a professora bobinha que falava em “descobrimento do Brasil”, “é falta de educação bater palmas depois do hino” e “os recuros da terra são infinitos” também falava que éramos superiores. talvez ela só estivesse tentando ser simples para que as criancinhas pudessem entender…
. mas é só observar mais de perto, pra ver… não é preciso ter nenhum estudo científico pra ficar claro que os animais são, sim, muito inteligentes, em vários aspectos… não são irracionais.
é verdade, o planeta estaria muito melhor sem a gente… tem até aquele movimento pela extinção voluntária da humanidade. eu acredito que tem gente demais no mundo e que nossa população precisa diminuir antes que fique pior do que já está, mas tbm não sou a favor de nossa extinção… sou egoísta quanto a isso.
Às vezes eu fico até com medo de falar que tenho orgulho da humanidade. Falando assim, parece que eu concordo com tudo de ruim o que acontece com o planeta, mas não é bem assim. Existem seres humanos maravilhosos, capazes de coisas fantásticas. Talvez o planeta não sinta mesmo a nossa falta, mas quem sabe? Será que sopmos os únicos nesse universo tão grande? Será que faríamos falta ao cosmo? Eu começo a viajar nas coisas e vou indo embora. Conheço pessoas incríveis e sei que nem tudo está perdido.
P.S.: Quanto a vírus/bactérias/fungos/protozoários que dependem de nós, bem… Acho que eles se adaptariam rapidinho à outra espécie…
Ah, eu tenho que agradecer pelo selinho também! Fiquei toda emuxa quando vi o que você escreveu sobre o meu blog. Eu fico mó feliz quando alguém absorve algo do que eu falo, é sinal de que não escrevo à toa. Obrigada, de verdade! =DD
Adorei o texto, a verdade é que o homem sempre se saiu muito mal na seleção natural, enquanto todas as outas especies existem por si só, nos somos dependentes de ferramentas, arrumamos mil meios de burlar os artificios que a natureza usa para banir aquelas especies que n são para existir, pense bem imagine se ainda existiria esse tanto de humanos se ninguém tivesse inventado um simples remedio como a penicilina, enquantos os tubarões estão a milhões de anos sem precisar de nada além de seus dentes e força, qualquer formiga ganha a gente na corrida evolutiva, e a Mãe Natureza tá ai batalhando pra sumir com a gente da face da terra, mandando tsunamis, aquecimentos, enfim, vamos ver quem vai ganhar ne
Sabe, nunca tinha parado para pensar nas coisas sobre esse prisma. Realmente, julgamos-nos tão superiores, mas dependemos tanto daqueles que maltratamos.
E obrigada pela força lá no blog. Decidi que não vou levar o caso mais a frente, acho que a indenização por danos morais que eu receberia não compensaria o estresse que eu teria que passar. Mas sorte a minha que o caso resolveu-se logo.
Bjitos!