Hoje não vou falar sobre nenhum assunto polêmico, nem pseudo-filosofar a respeito de nada.
Esse post é um devaneio a respeito de algo que costumo fazer com frequência, e que chamo de Escrever Pensamentos. Não se trata de pegar aqueles pensamentos que temos durante o dia e registrá-los num papel, ou blog, o que seja. Trata-se de pensar como se estivesse escrevendo. É a arte de criar seus pensamentos como se estivesse falando com alguém.
Eu faço isso com tanta frequência, que às vezes tenho a sensação de que poderia escrever livros inteiros com os meus pensamentos.
Ontem mesmo, eu estava sentada na cama de bobeira, olhando para o teto, e as palavras foram surgindo na minha cabeça, exatamente dessa forma: “Amanhã talvez eu experimente usar um desses sapatos que nunca usei. Eles não combinam muito com o meu terno, mas vai ser o único jeito de curar o meu dedo magoado pelos sapatos de salto alto. Aliás, estou começando a me acostumar com o salto, mas meus tornozelos ainda doem bastante…”. Entenderam a pegada? Eu penso como se estivesse conversando. Eu sei que meus tornozelos doem, eu sei que estou me acostumando com o salto, mas minha mente cria esses diálogos comigo mesma, como se eu não soubesse, ou como se eu fosse pegar um papel e uma caneta e escrever aquelas informações para alguém que as desconhece.
Acho que minha mente é meu diário, e eu escrevo nela todos os dias, falando comigo mesma a respeito de todas as coisas que acontecem.
Num belo dia, quando eu morrer, vou entrar em um quarto hexagonal, com decoração vitoriana, uma janela de madeira com a pintura desgastada exibindo uma trepadeira abusada do lado de fora, que começa a ramificar para dentro do quarto. Num cantinho desse quarto, vai ter uma escrivaninha antiga com um livro grosso sobre ela e uma cadeira de encosto alto e almofada florida à sua frente. Nesse dia, enquanto o sol entrar pela janela e uma brisa suave agitar as cortinas brancas e delicadas ao lado dela, vou me sentar naquela cadeira tomando uma xícara de chá, e ler todo o livro outra vez.
.
Hoje é aniversário da minha sobrinha, a que mora comigo. Ela está fazendo 11 anos!
Pensando em todas essas coisas, resolvi lhe dar um presente: um diário. Nessa idade, talvez ela queira começar a desabafar com alguém a respeito das coisas que lhe acontecem e que os adultos não seriam capazes de entender. E nada melhor do que um diário para fazer isso.
Porque eu sei que nós emburrecemos um pouco quando crescemos. Esquecemos de como a adolescência é difícil, de como nos sentimos confusos e perdidos nessa idade. Para nós, adultos, a adolescência é apenas uma fase chata, e tudo o que acontece com os adolescentes é problema pequeno demais para nos importarmos com eles. E não entendemos porque os adolescentes são tão perdidos e confusos se seus problemas são tão simples e insignificantes.
Eu sei que pensamos assim. E como a Gabi não tem muitos amigos da sua idade, um diário deve lhe cair muito bem! ^^
.
PS: A imagem que ilustra esse post não é minha! Clique na imagem para visitar o DeviantArt da artista que, por sinal, é excelente! =)



